Pela enésima vez, Petrobras anuncia aumento na gasolina

A direção da Petrobras anunciou que, a partir desta quarta (12/1), os preços da gasolina e diesel irão, mais uma vez, aumentar. A alta média deverá ser de 4,85% para a gasolina e 8% para o diesel.

Trata-se do 12º aumento da gasolina desde o início de 2021, quando o preço do combustível registrou um crescimento acumulado de 46% (num ano com desemprego de 12%, inflação a 10% e forte informalidade).

Essa enorme sequência de aumentos segue a já conhecida política do PPI (Preços de Paridade de Importação), que determina que os preços praticados pela Petrobras sigam o mercado internacional, ignorando a situação econômica dos brasileiros.

O PPI foi introduzido em outubro de 2016, tendo sido uma das primeiras medidas de Michel Temer após o impedimento de Dilma Rousseff. Na prática, ele representa a “privatização branca” da Petrobras, em que o governo ainda controla a empresa, mas executa uma política voltada para os acionistas privados, quase todos, ligados às finanças transnacionais (um dos acionistas é a BlackRock, por exemplo).

A título de ilustração, foi graças ao PPI que, no 3º trimestre do ano passado, a Petrobras distribuiu em dividendos o maior valor de toda sua história: R$31 bilhões, que representou 3 vezes a média da mesma rubrica registrada nas demais petroleiras do mundo.

Em fevereiro de 2021, houve a expectativa que o PPI teria um fim depois que o presidente Jair Messias Bolsonaro substituiu o então presidente da empresa Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, após quatro aumentos da gasolina em menos de 60 dias. Mas o PPI continuou firme e forte e nada mais foi feito.

O curioso é que essa situação dramática dos preços da gasolina se dá mesmo o Brasil possuindo uma das maiores reservas de petróleo do mundo, sendo, em tese, autossuficiente.

Também cabe lembrar que, desde que a Petrobras foi fundada, no 2º Governo Vargas, o país sempre deteve autonomia na capacidade de refino de combustíveis. Porém, com o início das privatizações de refinarias e outros ativos, a partir da década de 90, o Brasil passou a ter que importar gasolina, diesel e querosene, ficando mais vulnerável às oscilações do mercado financeiro internacional, o que, na prática, também significou perda de soberania.

Com a introdução do PPI e a continuação das privatizações no atual governo, essa situação só vem se agravando.

Com informações de Hora do Povo

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