Venezuela afrouxa a corda do pescoço e lições para a América do Sul

Depois de quase uma década de crises econômicas, conflitos internos e sanções econômicas impostas pelos EUA e pela União Europeia, a Venezuela passa a enxergar uma luz no fim do túnel e respira um pouco mais aliviada.

Desde o lançamento de um plano de reestruturação econômica em meados de 2021, o governo de Nicolás Maduro conseguiu reduzir a inflação, de um processo hiperinflacionário que vinha até então, para uma inflação mensal de apenas um dígito, conjugada com a retomada do crescimento econômico.

Para isto contribuiu não só a valorização dos preços do petróleo em nível mundial, mas também um processo de substituição de importações, incluindo o setor de bens de capital (maquinário para indústria), que segue em curso. A Venezuela, tradicional exportadora de petróleo e derivados e importadora de tudo mais, se viu obrigada a adotar esse curso diante das sanções, que impediam a transações de residentes venezuelanos com dólares.

O regime de sanções teve início ainda em 2015, quando o então presidente dos EUA Barack Obama definiu o regime bolivariano como uma “ameaça a segurança dos Estados Unidos”. Com a ascensão de Trump, em 2017, as sanções se intensificaram, em coordenação com as impostas pela União Europeia, que fizeram que o país sul-americano sofresse medidas similares às impostas ao Irã e a Cuba: confisco de ativos, incluindo reservas de ouro em bancos britânicos e a da empresa de combustíveis CITGO nos EUA, impedimento de transações mesmo para compras de vacinas e medicamentos e sanções a empresas que faziam negócios com a Venezuela.

A situação chegou a ficar bastante crítica quando o então presidente da assembleia legislativa Juan Guiadó se autoproclamou presidente de direito da Venezuela, sendo reconhecido como tal pelos governos dos EUA, dos países europeus e alguns sul-americanos, incluindo o Brasil na chancelaria de Ernesto Araújo.

Maduro tem tudo a agradecer a Putin, pois foi que vem garantindo militarmente a Venezuela, sendo pelo fornecimento de armas, desde a época de o governo Chávez (1999-2013), ou pela presença militar dissuasória em território venezuelano, incluindo uma base em uma ilha do Caribe.

Da mesma forma, o PORTAL RUBEM GONZALEZ e o JORNAL PURO SANGUE vem alertando desde o início do governo Bolsonaro que a Venezuela iria contornar a crise e o regime iria se manter, quando muitos apostavam na iminência de um ataque militar dos EUA à Venezuela.

Além disso, qualquer que seja a opinião que se tenha sobre o regime bolivariano, cabe constatar que a sobrevivência deste é também a derrota do regime de sanções, como se o “Ocidente do Norte” pudesse escolher alguns Estados-párias (rogue states, conforme o denominam os neocons que dominam a política externa dos EUA desde a Era Reagan, pelo menos) para isolar e derrubar, não importa a que custo de sofrimento para a população comum que lá comum. Tal política pode perdurar desde a invasão do Iraque à queda de Kadafi na Líbia, mas ficou seriamente abalada desde a reviravolta na guerra híbrida na Síria.

Conforme aponta Thierry Meyssan, editor do Rede Voltaire, trata-se de um recuo da Doutrina Cebrowski-Rumsfeld, de criar um arco de instabilidade não só no Oriente Médio, mas também em algumas outras áreas do globo, que incluem pedaços da América do Sul e Central.

Se a Venezuela consegue sobreviver a essas sanções, o que dirá o Brasil, caso resolva peitar os regimes de governança global, a nós impostos há pelo menos trinta anos, ao qual obedeceram todos os governos da Nova República até agora. A hora é essa.

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