Por que sou otimista com o Brasil em 2022

Por Felipe Quintas

Estou bastante otimista em relação a 2022.

Eu não espero que a situação econômica e social do país melhore, muito pelo contrário, tampouco acho que os resultados da competição eleitoral desse ano redimirão o país, pois, dentre os principais candidatos executivos e legislativos (incluindo seus respectivos partidos), absolutamente nenhum deles quer e tem condições de encaminhar o futuro.

Meu otimismo consiste em que, pouco a pouco, mas significativamente, o povo brasileiro está perdendo a ingenuidade política que lhe era característica. Qualquer que seja o cenário político dos próximos anos, encontrará uma sociedade mais vigilante e consciente. Não será mais tranquilo apelar a uma modernização abstrata ou a um anticomunismo tosco para justificar retirada de direitos, tampouco subornar as pessoas com esmolas para fazê-las aquiescer ao progressismo identitário anti-humanista e distorcer estatísticas para criar uma “nova classe média” feita apenas de tinta de caneta/impressora e saliva. Tampouco será concebível aplicar a agenda nefasta do Grande Reset, feita sob medida para as metrópoles decadentes do Atlântico Norte, mas absolutamente inadaptada ao nosso continentalismo tropical.

Será natural que os dirigentes políticos passem ao largo das celebrações do Bicentenário da Independência, pois sua maior preocupação será o desempenho eleitoral. Porém, essa data será devidamente celebrada não nos eventos oficiais, mas no desenvolvimento gradativo da consciência política, que, nesse e nos próximos anos, num crescendo, inviabilizará a politicagem e a demagogia das elites partidárias e colocará novamente em pauta a necessária construção nacional.

As lideranças que emergirão desse processo, então, serão aquelas que estiverem com a mente e o coração nas vastas entranhas do Brasil profundo, do Brasil que trabalha e produz, do Brasil que sua, ora, canta e, apesar das elites, se agiganta. Do Brasil que, apesar do beautiful people do eixo Rio-São Paulo, da Bovespa, do Uol, do George Soros, do Steve Bannon, das ongs ambientalistas e do Fórum Econômico Mundial, não vai se tornar um Congo arco-íris, mas vai completar a sua integração nacional, vai ocupar e desenvolver os espaços vazios do nosso interior, vai fazer despontar uma indústria nacional dinâmica a partir das demandas do agronegócio, vai continuar se aglomerando para acompanhar seu time de futebol, vai criar novos sistemas de vida, de trabalho e de lazer ao longo de toda a nossa superfície.

Se vocês quiserem ver o Brasil que está nascendo, esqueçam as decadentes Ipanema e Avenida Paulista. Dali não virá mais nada além de mimetização da irracionalidade dos centros metropolitanos mundiais. O Brasil do futuro, que já se delineia, terá o seu centro nervoso – demográfico, produtivo e cultural – nos eixos das rodovias Belém-Brasília e BR-364, que liga o Acre ao interior do SP. Um Brasil rústico e desenvolvido, trabalhador e maroto, que reinventará a modernidade, traída pelo poder financeiro norte-atlântico. Mais do que modernos, somos e seremos modernistas. Nossa Semana de 22 não será nas galerias de artes, mas na vida comum do povo simples, e não durará só uma semana, mas toda a eternidade.

Essa é a vocação natural do Brasil desde o bandeirantismo, transformado em projeto nacional por José Bonifácio e institucionalizado por Getúlio Vargas com a sua Marcha para Oeste, brilhantemente estruturada por JK e pelos governos militares. O Brasil só será de fato independente quando for sertanejo, e não há quem possa deter a nossa marcha para a Independência. Tudo que acontecer a partir de agora será útil no sentido de soterrar ilusões persistentes e fazer do cadáver delas o adubo para alimentar o corpo e a alma desse país de gigantes que é o Brasil.

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