Notas sobre a tragédia na Bahia

Por Felipe Quintas.

Sobre a tragédia na Bahia:

– a indiferença do Bolsonaro, enquanto Presidente da República, é absolutamente ultrajante para a instituição presidencial e para todo o País. Ainda que alguns ministros estejam se mobilizando, a presença do Presidente é absolutamente imprescindível, tanto simbólica quanto operacionalmente. A função do chefe de Estado é ser o “Primeiro Servo do Estado”, como definido por Frederico II da Prússia, um dos maiores estadistas modernos. A incapacidade de Bolsonaro de servir a qualquer coisa que não seja seu próprio bem estar e o dos filhos o inabilita para o cargo que ocupa. Seu liberalismo é menos uma ideologia do que a mais pura e descarada “ergofobia”, aversão ao trabalho, ou preguiça e vagabundagem, em português claro.

– A “vitrine petista na Bahia”, assim como a do Consórcio Nordeste como um todo, fica bem arranhada com a tragédia. O PT baiano inevitavelmente será chamado a se explicar sobre o porquê do estado, que é um dos mais ricos da região e após 15 anos de governos petistas. não ter sequer recursos para fazer um trabalho emergencial e de ter que mendigá-los para outros governadores. Os prefeitos, evidentemente, usarão o governo estadual de tapete para esconderem os seus problemas. Não que 15 anos fossem suficientes para resolver problemas estruturantes – considerando que muito tenha sido feito, o que não parece ser o caso -, mas, em vista da propaganda feita e do encurtamento do horizonte político a ciclos eleitorais quadrienais, essa conta será posta na mesa do PT. Da mesma forma, fica patente a insuficiência do “Consórcio Nordeste” para o que quer que seja, que se mostra como de fato é, uma tática eleitoreira e circunstancial e não um projeto efetivo de integração regional.

– Politicamente, Bolsonaro e o PT baiano saem enfraquecidos. Mas o maior perdedor, mesmo, é o povo. Dos tantos caminhos apresentados nas eleições, o ponto final é o mesmo. É deplorável que o Brasil, com tanta riqueza e uma capacidade infraestrutural razoavelmente consolidada, não tenha quem aproveite tudo isso para de fato alavancar o país e impedir que tanta gente tenha que passar por essa derrota.

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