Observações sobre a viagem de Lula à Europa

Por Felipe Quintas.

Sobre o aclamadíssimo discurso do Lula no Parlamento Europeu, faço alguns questionamentos e observações:

  • Que tipo de apoio ele, como pré-candidato presidencial no Brasil (frise-se bem “no Brasil”), pretende angariar no Parlamento Europeu? O que justifica ele fazer uma “caravana” na Europa antes de fazer no Brasil?
  • Na parte final do seu discurso, ele defendeu “uma economia justa, movida a energia limpa”. Qual seria o papel da Petrobrás e do pré-sal, “sujos” por definição, nessa “economia justa movida a energia limpa”? É possível haver no Brasil economia justa sem a “energia suja” do petróleo e da Petrobrás?
  • Não vejo a União Europeia como referência para absolutamente nada. Ela institucionaliza em nível continental o neoliberalismo que Lula criticou numa boa passagem do seu discurso. Não à toa, o primeiro-ministro sueco Olof Palme, o último social-democrata europeu, era contrário a participar da Comunidade Econômica Europeia. Coincidentemente ou não, ele foi assassinado dois dias depois de rejeitá-la publicamente. O aplauso do Parlamento Europeu é, portanto, o aplauso de um dos principais bastiões mundiais do neoliberalismo.

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