República e Império

Por Alberto Monteiro.

Na aparição da batalha de Ourique, consta que Nosso Senhor prometeu a Afonso Henriques fundar um Império na descendência dos portugueses para Ele. O único império que restou é o Brasil, porque Portugal continua sendo o que era, depois do fim do império colonial.

Depois dessa batalha, Afonso Henriques adotou a bandeira das Quinas, com os cinco escudetes representando as cinco chagas de Nosso Senhor, e o lema de Constantino: “In hoc signo vinces”. As quinas estão na bandeira do Brasil representadas pelas cinco estrelas do Cruzeiro do Sul.

Ego enim ædificator et dissipator imperiorum et regnorum sum, volo enim in te, et in sémine tuo, impérium Mihi stabilire” – “Eu sou o edificador e o dissipador dos impérios e dos reinos, quero pois em ti e na tua descendência estabelecer um império para Mim”, teria dito Nosso Senhor a Afonso Henriques antes da batalha de Ourique.

Como acontece com outras fases da história do Brasil, não vejo ninguém defender a República. Uns choram uma saudade falsa do que não conhecem, querendo a volta dos Braganças, outros acusam a República de ser excludente e chacinar índios e negros. Para onde o ódio político, fomentado desde o exterior, está conduzindo a nossa Nação?

Talvez eu, que não sou um democrata e vejo o Brasil como um Império, embora sem simpatia alguma pela hereditariedade monárquica, seja o último republicano, defensor do belo nome de República, cujo significado no português de Padre Antônio Vieira era o mesmo que no latim de Cicero: a coisa do povo (res publica).

“O rei não é o dono da República, mas o seu primeiro servidor”, cito Vieira de cabeça. É sabido que José Bonifácio preferiu para o monarca brasileiro o título de imperador ao de rei por duas razões, uma popular, outra erudita. A popular era que a figura do “imperador do Divino”, das festas do Espírito Santo, era conhecida e amada pelo povo. A razão erudita era o exemplo napoleônico: Napoleão instaurou a dignidade imperial sem formalmente abolir a República Francesa – como, aliás, Otaviano Augusto o tinha feito em Roma. O título de “imperador” traduzia a um só tempo a herança romana e as convicções políticas íntimas do Patriarca, que eram republicanas.

Eu sou republicano, nesse sentido.

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