Caso Maurício do vôlei: entenda como funciona o Lobby LGBT no Brasil

Por João Mulato.

A demissão do jogador de vôlei Maurício Souza do Minas Tênis Clube, após mobilização iniciada nas redes sociais, é um marco do novo patamar ao qual chegou a Guerra Cultural capitaneada pelas forças do Identitarismo[1] no Brasil, em especial, aquelas ligadas ao Lobby LGBT. Ao longo das últimas décadas, esse segmento tem se destacado pela projeção midiática cada vez maior e por promover transformações culturais e institucionais cada vez mais expressivas, graças às ações sistemáticas voltadas para o “Combate à Homofobia” e a “Inclusão da População LGBT”. Ambos os lemas, porém, tem servido apenas como uma operação discursiva que esconde os verdadeiros impulsos – conscientes ou inconscientes – que movem os entusiastas do Lobby LGBT na busca de dois objetivos: o desmantelamento da “heteronormatividade” (a norma referencial para a sociedade de que as pessoas devem desenvolver relações amorosas com pessoas do sexo oposto) e da “cisnormatividade” (a norma referencial para a sociedade que indica que a identidade de uma pessoa corresponde ao seu sexo biológico). Como se vê, trata-se de uma reconfiguração de normas e valores caríssimos aos Povos de todo o mundo, inclusive o brasileiro.

O caso “Maurício do vôlei” representa algo totalmente inédito na História do Esporte Brasileiro por decorrer de um enredo marcado por uma feroz campanha midiática de destruição de reputação e por punições completamente injustas e draconianas. Essa conjunção de fatores revela o nível de enraizamento que toda uma parafernália retórico-ideológica atingiu em setores bastante influentes da nossa sociedade, a começar pelo que hoje pode ser considerado como o núcleo duro militante do Lobby LGBT, no caso, a “Esquerda”, cuja versão contemporânea já relegou as pautas ligadas à “luta de classes” a segundo ou terceiro plano, com as pautas identitárias passando a compor a essência de seu afeto político. Foram ativistas identitários de Esquerda quem se mobilizaram nas redes para pressionar Fiat e Gerdau – duas Corporações Financeiras Transnacionais e patrocinadoras do Minas Tênis Clube – a intervir pela demissão de Maurício, depois que este fez duas publicações em sua conta no Instagram nas quais simplesmente demonstrou desacordo com a presença de mulheres transexuais em competições esportivas femininas e reprovou a decisão da DC Comics de retratar o filho do Super-Homem como um personagem bissexual. Nas publicações, não há palavras de ódio nem de baixo calão, mas apenas discordância, sarcasmo e ironia, o que deveria ser permitido em uma sociedade onde a liberdade de expressão fosse efetivamente respeitada. Maurício até chegou a publicar um pedido público de desculpas, que foi considerado insuficiente por seus superiores, precipitando sua demissão da equipe de vôlei. Nem a mobilização de seus colegas, que ameaçaram uma demissão coletiva em solidariedade, foi suficiente para reverter a decisão. Para completar, o atleta acabou também banido da seleção brasileira.

A Operação de Cancelamento, que, como sabemos agora, foi bem-sucedida, contou com o auxílio decisivo da Grande Mídia, com Globo e UOL à frente. Logo que o caso ganhou escala nas redes sociais, inúmeras reportagens passaram a ser veiculadas nos canais de TV e portais de internet retratando o caso sob o termo estigmatizante de “homofobia”. Essa Engenharia Linguística, bastante conhecida da Grande Mídia, teve três objetivos mais imediatos: estigmatizar qualquer um que por ventura concorde com as críticas do jogador; silenciar o debate sobre todas as consequências do avanço da Agenda LGBT na sociedade; demandar uma punição enérgica a Maurício Souza que servisse de exemplo.

A mensagem emitida pelos veículos da Grande Mídia foi o sinal para que Fiat e Gerdau ordenassem a cabeça do atleta, em um gesto que também reflete a assimilação da Agenda LGBT pelas Corporações Financeiras Transnacionais. Para tomarmos ciência da dimensão desse fenômeno, basta lembrarmos da criação do “Mês do Orgulho” em junho deste ano, quando, pela primeira vez na História, departamentos de marketing dessas megacorporações organizaram uma campanha de escala global para promover a homossexualidade e a transexualidade. Entre as ações mais marcantes da campanha, estavam a incorporação das cores do arco-íris nos logos das principais marcas do mundo (em alusão à bandeira LGBT) e a veiculação de dezenas de propagandas comerciais com homossexuais e travestis se beijando em plena TV aberta. Na lógica concorrencial de mercado, o que essas ações buscavam era “agregar valor” às marcas sob o lema da “tolerância à diversidade”, em uma prática que expressa o nível de penetração dos valores culturais LGBTs no Ocidente, além, é claro, de reforçá-los.

Cabe ainda mencionar que os avanços do Lobby LGBT no âmbito da Cultura, que tornaram possível o Cancelamento de Maurício, também encontram paralelo no ordenamento jurídico brasileiro. O grande triunfo nesse campo até agora é a fatídica (e absurda) decisão do Supremo Tribunal Federal de 13 de junho de 2019, que determinou que atos de “homofobia” devem ser equiparados a crimes de racismo, isto é, a crimes inafiançáveis. Essa deliberação – que abre espaço para que outras “opressões” como a “gordofobia” sejam um dia também consideradas crimes inafiançáveis – representou uma vitória histórica do Lobby LGBT no Brasil uma vez que possibilita que toda e qualquer crítica às iniciativas que busquem o fim da heteronormatividade e da cisnormatividade sejam tratadas como atos passíveis de prisão.

Desvendando a Operação Retórica e os Fenômenos Psicológicos

A Operação de Cancelamento de Maurício Souza, que envolveu Esquerda, Redes Sociais, Grande Mídia e Corporações Financeiras Transnacionais, se assentou em um complexo encadeamento de ações retóricas e comportamentos de cunho psicológico.

Em primeiro lugar, foi central o emprego insistente da palavra “homofobia” de forma a criar um estigma profundo em torno do atleta, isto é, demonizá-lo, desumanizá-lo, torná-lo um pária. A estratégia visa demonstrar que esse é o destino de toda e qualquer pessoa que ouse criticar o Lobby LGBT no intuito de defender a heteronormatividade e a cisnormatividade, independentemente da forma como essa crítica é feita. A tática lembra o mesmo processo por trás do emprego da expressão “comunista” por setores radicais da direita brasileira, em especial aqueles alinhados ao guru esotérico Olavo de Carvalho, que aspiram deslegitimar toda e qualquer posição que se coloque em defesa dos direitos trabalhistas e contra a entrega do patrimônio público brasileiro.

No caso das críticas ao Lobby LGBT, diversos são os argumentos que costumam ser empregados para sustentar a estigmatização de seus autores, sendo o mais canalha deles aquele que pretende estabelecer um vínculo direto entre a crítica e o assassinato de homossexuais, como faz esta matéria do UOL. Seria como dizer que toda crítica ao extremismo religioso consistisse em um incentivo à violência contra islâmicos na Europa – uma conduta que pode ser classificada de “delirante” de tão ridícula, mas que se trata apenas de desonestidade calculada.

Outro argumento que não raro surge nesse debate é o que defende que a proliferação de conteúdo LGBT nos meios de comunicação não influencia nos rumos da sexualidade e identidade das pessoas. É essa a tese manifesta neste texto também do UOL, que, a bem da verdade, requer muito ingenuidade para que seja tomada como crível. Caso contrário, qual seria a causa do aumento expressivo, nos últimos anos, do número de pessoas que têm se identificado como pertencentes ao sexo oposto, ou mesmo à categoria artificial de “não-binários”, em um fenômeno que apresenta perfeita sintonia com o aumento da exposição de conteúdo LGBT nas diferentes plataformas de mídia?

No fim das contas, um dos objetivos dessa operação retórica é a criação de um tabu psicológico no inconsciente das pessoas de modo a impedir com que elas sequer se permitam a cogitar que as críticas ao Lobby LGBT possam ser legítimas. O medo de, subitamente, enxergar-se como um pária acaba muitas vezes sendo maior que a decisão de enveredar para uma posição que de fato possa ser a mais razoável. E se por acaso esse tabu venha a ser vencido, surge então um novo obstáculo ainda mais difícil de transpor: a pressão dos pares. O termo, também oriundo da Psicologia, define um fenômeno comportamental no qual uma pessoa é coagida a pensar e agir de determinado modo por receio de ser repreendida pelos membros de seu círculo social, levando-a a defender ou, ao menos, consentir com posições com as quais não necessariamente concorda em um nível racional. É a partir da pressão dos pares que acontece o efeito manada, no qual uma multidão reproduz, de forma abrupta e irrefletida, um comportamento manifestado anteriormente pelos líderes de um grupo. No caso de Maurício Souza, certamente esses fenômenos têm induzido uma infinidade de pessoas a participar de seu Cancelamento por conviverem com amigos e familiares “de Esquerda”.

Existem ainda outros fenômenos psicológicos e sociais que servem de força motriz da Cultura de Cancelamento e que merecem ser destacados. Um deles é o da recompensa narcísica, que se trata de um sentimento de superioridade moral auferido quando alguém se acha em uma batalha em defesa do Bem contra o Mal, ou, numa caracterização que melhor exprime o universo das causas identitárias, em defesa dos “Oprimidos contra os Opressores”. Doses cavalares de dopamina e outros hormônios que geram bem-estar são despejadas na corrente sanguínea toda vez que uma pessoa acredita estar nesse tipo de situação, sobretudo quando se encontra no conforto de seu lar e o risco à integridade física é zero. Outro “prêmio” que esse engajamento concede é a obtenção de status, isto é, uma forma positiva de distinção social. É esse atributo que os militantes identitários buscam quanto tuítam para denunciar um Opressor, tornando, assim, pública a sua disposição de lutar em prol de uma causa “nobre”. Como fica nítido, trata-se de supostos comportamentos virtuosos que, na verdade, acabam mais refletindo a miséria existencial que o atual estágio do Capitalismo Pós-Moderno tem proporcionado à sociedade.

Para completar essa linha de raciocínio, convém apontar a lógica da “acusação-condenatória” em torno da qual a Cultura de Cancelamento age. A prática consiste em tratar como irremediavelmente culpados e merecedores de sentenças todos aqueles que são acusados de alguma transgressão de algum valor do Sistema Identitário de Valores, independentemente dos fatos e do teor da acusação. Antonio Risério chama esse processo de “macartismo identitário”, em alusão à paranoia anticomunista dos anos 50 nos Estados Unidos. É possível também chamá-lo de “Método Bruxas de Salem”, em referência aos acontecimentos ocorridos na colônia de Massachusets no final do século XVII. A diferença é que, ao invés de “comunista” e “bruxa”, as acusações dos dias atuais que imediatamente levam à condenação e ao clamor pela sentença costumam ser a de “racista”, “machista” ou, no caso de Maurício Souza, “homofóbico”.

Lobby LGBT, Elite Bilionária Transnacional e Esquerda Pós-1968

A expressão “Lobby LGBT” é precisa justamente porque as organizações que compõem esse segmento se estruturam como qualquer outro segmento de lobby: com escritórios físicos, palestrantes remunerados, assessoria de imprensa, gestão de redes sociais, equipes de advogados, custeios com viagens, ações de incidência junto a políticos e juízes, entre outros. Todo esse arcabouço é sustentado por repasses anuais de milhões de dólares oriundos de megafundações ligadas a Corporações Financeiras Transnacionais. Ou seja, não se trata de um “movimento de base” como a Esquerda gosta de pensar.

Segundo o site da Funder for LGBTQ Issues, uma “rede de mais de 75 fundações, corporações e instituições de financiamento”, anualmente são destinados mais de 100 milhões de dólares para “causas LGBTQ”. Como se pode imaginar, as relações entre o Lobby LGBT e as Corporações Financeiras Transnacionais são mais umbilicais do que podem aparecer à primeira vista. Um pequeno exemplo disso é a Parceria Global para Igualdade LGBTI, iniciativa lançada no Fórum Econômico Mundial de 2019 e da qual fazem parte megacorporações como Coca-Cola, Pepsi, Deutsche Bank, Johnson & Johnson, Mastercard, Microsoft, P&G, Edelman e Scotiabank. Seria ainda possível citar uma infinidade de outros exemplos dessa natureza que abundam por todo o Ocidente.

Esse diagnóstico instiga o seguinte questionamento: por que a Elite Bilionária Transnacional tem colaborado para avançar a Agenda LGBT no mundo? Seria apenas para agregar valor a suas marcas ou haveria outros motivos? De acordo com teses que ganham cada vez mais projeção no debate sobre o tema, por trás de todas essas iniciativas pode estar um plano político-ideológico de longuíssimo prazo. O objetivo da empreitada, segundo essas teses, seria o de acabar com a existência dos laços de pertencimento de todos os Povos junto a instituições tradicionais milenares como Nação, Religião e Família. Essa seria a utopia da “Sociedade Aberta” preconizada pelo filósofo liberal Karl Popper e que é defendida aos quatro cantos por George Soros, tendo inclusive inspirado o nome da fundação bilionária para o financiamento de ONGs deste último, a Open Society. No caso específico do Lobby LGBT, o objetivo é, como já dito anteriormente, desmantelar a heteronormatividade e a cisnormatividade, acabando por consequência com a ideia da Família Tradicional composta por um homem, uma mulher e filhos. Sem Família Tradicional, que é a unidade social básica de uma sociedade, não só as relações tradicionais tenderiam a desaparecer como também as Nações, e, assim, as Fronteiras, as Identidades Nacionais, as Identidades Religiosas e, por fim, os Povos, que seriam substituídos por uma massa global de consumidores sem qualquer identidade coletiva, consolidando de uma vez por todas a hegemonia das Corporações Financeiras Transnacionais sobre o planeta. Chegaria então o tão falado Fim da História.

Convém lembrar, porém, que o Lobby LGBT não estaria sendo bem-sucedido apenas com o apoio da Elite Bilionária Transnacional. É necessário ainda um exército de jovens militantes dedicados a tomar os itens da Agenda LGBT como bandeiras e, de forma voluntária, fazê-los avançar na sociedade. É aí que entra a Esquerda, em especial, a Esquerda Pós-1968. Tal clivagem se dá porque 1968 representa um marco do processo de desilusão de parte importante da Esquerda Ocidental em relação ao Socialismo Real, com os Protestos de Maio de 68 na França sendo sua grande expressão simbólica e mitológica. A partir de então, o espírito revolucionário característico da Esquerda passou a ser canalizado não mais para a Revolução Socialista, mas para outras esferas, em um processo que teve como base ideológica fundante a teoria de Michel Foucault sobre a Microfísica do Poder. Ao invés de combater a opressão do Capitalista contra o Proletariado ou do Imperialismo contra o Terceiro Mundo, os militantes da Esquerda Ocidental passaram a combater as opressões identificadas em múltiplas relações cotidianas entre seres humanos. Foi assim que o alvo da militância transladou-se, gradualmente, para a opressão dos “Brancos contra os Negros”, dos “Homens contra as Mulheres” e dos “Heterossexuais contra os Homossexuais” – esta última configurando o “conflito central” que embasa a ideologia por trás do Lobby LGBT.

Essa nova práxis política, que com o tempo passou a ser chamada de “Pós-Moderna”, por consistir no ímpeto da tribalização permanente da sociedade, ganhou ainda mais força após o colapso da União Soviética, que arremessou a Esquerda Tradicional em uma crise existencial profunda, e recebeu um novo impulso com a massificação das Redes Sociais nos anos 2010, que permitiu um crescimento dos Movimentos Identitários Pós-Modernos sem precedentes. Entre os quais, se encontra o Lobby LGBT.

Há Resistência no mundo e o Brasil precisa fazer a sua de forma séria

Se no Ocidente e em seus países satélites, como o Brasil, o Lobby LGBT tem obtido avanços significativos, é importante lembrar que há Nações em outras partes do planeta que vêm agindo de maneira determinada e bem-sucedida para se defender. Duas das que mais se destacam nesse quesito são Rússia e China, que, não à toa, têm sido as principais protagonistas na conformação do Novo Mundo Multipolar.

No caso da Rússia, a Nova Constituição, aprovada em 2020, determina que a “instituição do casamento é a união entre um homem e uma mulher”, em uma visível atitude de defesa ante a ofensiva mundial do Lobby LGBT contra a Família Tradicional. Outra medida icônica foi a decisão judicial de 2012 que proibiu a organização da Parada Gay de Moscou por um período de 100 anos, com o nítido objetivo de coibir um espaço que serve de articulação, agitação e propaganda do Lobby LGBT. Mais recentemente, o Presidente Vladimir Putin manifestou publicamente sua oposição, de forma bastante direta, às tentativas do Lobby LGBT de normalizar a Ideologia de Gênero, quando, em discurso no Clube Valdai de 2021, classificou de “monstruosas” as tentativas de se ensinar crianças “que um menino pode facilmente se tornar uma menina e vice-versa”.

Na China, a Parada Gay também é proibida pelos mesmos motivos que na Rússia, com o Partido Comunista Chinês atuando de forma categórica para coibir tentativas clandestinas de se organizar o evento. Já neste ano, o órgão responsável pela supervisão da Mídia no país determinou que veículos e plataformas cessassem a exibição de conteúdos que retratem homens como seres afeminados e dessem predileção para conteúdos que projetem a figura masculina como sinônimo de virilidade e coragem. O objetivo, com isso, é o de manter a sociedade coesa em torno dos valores tradicionais e preparar a geração atual de jovens chineses para vencer os grandes e perigosos desafios do futuro, algo impossível de ser alcançado com uma sociedade dividida e composta por homens frágeis e delicados – vide a decadência cada vez mais explícita dos Estados Unidos, país onde o Lobby LGBT é reinante e a Guerra Cultural caminha de forma cada vez mais célere para se transformar em Guerra Civil.

Outra amostra positiva de Resistência ao Lobby LGBT vem da Hungria, sob a liderança do primeiro-ministro do país, Viktor Orbán. Coube a ele e seu partido, o Fidesz, aprovarem leis que restringem a veiculação de conteúdo LGBT para crianças e adolescentes, público predileto do Lobby LGBT por ser mais suscetível à propaganda ideológica. Não à toa, a Mídia Ocidental, que é controlada pelas Corporações Financeiras Transnacionais, tem insistentemente retratado Orbán como um político de “Extrema-Direita”, no intento de associá-lo a neonazistas e a Adolf Hitler. Apesar disso, a esmagadora maioria da população húngara segue rejeitando o Lobby LGBT e apoiando as iniciativas de Orbán e seu partido para protegê-la na Guerra Cultural em curso.

No Brasil, a Resistência ao Lobby LGBT, ao menos até agora, parece ser feita, basicamente, por lideranças ligadas a igrejas neopentecostais e por setores bolsonaristas sob a influência de Olavo de Carvalho. Tal cenário, porém, acaba conferindo um estigma em torno dessa Resistência, o que dificulta o engajamento de setores moderados da sociedade civil que buscam se distanciar da polarização Direita-Esquerda. Até mesmo setores historicamente identificados com a Esquerda, mas que prezam pelos Valores Tradicionais, acabam não se engajando nos esforços contra o Lobby LGBT em função desse estigma, optando pela posição de neutralidade ou consentimento para não ter que lidar com o ônus da pressão dos pares.

Em termos de iniciativas legislativas que busquem resistir ao Lobby LGBT, o Brasil não possui praticamente nada, apesar de toda a retórica de Bolsonaro, que, na prática, realiza um “Não-Governo”, como bem definiu Felipe Quintas. No Congresso Nacional, onde reina o fisiologismo, o neoliberalismo econômico e a ausência de qualquer sentimento ideológico virtuoso, nenhuma lei dessa natureza jamais foi aprovada; na verdade, a projeção das cores do arco-íris no prédio onde trabalham deputados e senadores, neste ano, mostra que há abertura considerável para a incidência do Lobby LGBT. As poucas iniciativas legislativas brasileiras de Resistência estão nas Assembleias Legislativas Estaduais e nas Câmaras Municipais de Vereadores. Um exemplo de certa repercussão midiática foi um projeto de lei apresentado na Câmara de Sorocaba-SP que visa instituir o Dia da Família Tradicional, mas que ainda não foi votado. Mais recentemente, a Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou lei que proíbe a utilização da “Linguagem Neutra de Gênero em instituições de ensino do Estado, com a finalidade de barrar algo que não só prima pela artificialidade e pela falta de senso do ridículo, como busca naturalizar a Ideologia de Gênero por meio de um artifício psico-linguístico refinado.

Diante de tudo isso, está nítido a todos que o Brasil possui um enorme desafio de consolidar um movimento sério, resiliente, bem organizado, que se ampare sobre um discurso sóbrio ao invés da histeria, mas que ao mesmo tempo seja firme e inflexível na defesa dos Valores Tradicionais mais caros ao Povo Brasileiro. A homossexualidade deve ser algo pertencente ao foro íntimo e toda pessoa homossexual deve ter seus direitos preservados como qualquer outro cidadão comum: direito à vida, à paz, à segurança, ao trabalho, ao lazer, à moradia, à aposentadoria, entre outros. Além disso, qualquer pessoa que desenvolva sofrimento psicológico decorrente de impasses sobre sua sexualidade e identidade deve ter acesso a um apoio clínico especializado. Entretanto, a utilização do discurso do combate à discriminação e da inclusão para operar uma Engenharia Social na sociedade, visando alterar Valores Tradicionais importantíssimos – que é o que busca o Lobby LGBT com a ajuda de milhões de dólares – é absolutamente inaceitável e deve ser combatido com todo o vigor e inteligência à disposição dos Brasileiros que se importam com o destino de seu Povo e de sua Nação. Que o episódio ocorrido com Maurício Souza sirva de alerta para essa demanda cada vez mais urgente.

[1] Outros nomes usados para designar “Identitarismo” são Progressismo, Globalismo, Marxismo Cultural (termo da direita radical ligada a Olavo de Carvalho) e Wokeísmo.

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