A Questão Nacional, além da esquerda e direita

Por Cesar Benjamin.

A esquerda brasileira perdeu a capacidade de ser uma força relevante na reconstrução da nossa sociedade. Pode até ganhar mais uma eleição, mas isso não deterá a agonia do Brasil.

Quarenta anos de hegemonia lulista fizeram com que a maior parte dessa esquerda considere natural (a) fazer política em estreita aliança com forças muito retrógradas e corruptas, que recebem a direção de grande parte do Estado nacional; (b) entregar o comando da economia a representantes orgânicos do grande capital; (c) manter o povo desmobilizado, à espera de algumas compensações. Isso é o PT.

O PSOL distingue-se do PT na crítica à corrupção e num tom mais assertivo quando trata das demandas de determinados grupos sociais. Como o mundo do trabalho foi dilacerado, essas demandas concentram-se, cada vez mais, em questões de gênero, de “raça”, de orientação sexual e afins.

A matriz teórica dos dois partidos é a mesma, com diferenças de ênfase. Em ambos, faltam os conceitos-chave de nação e de povo. Quando tentei dizer isso ao PSOL, fui escorraçado. Logo ficará claro que o partido é inviável. Será uma sublegenda do PT.

Todos desejamos um mundo futuro em que todas as pessoas se reconheçam como irmãs e tenham direitos iguais. No mundo contemporâneo, porém, o espaço em que podemos sonhar em construir algo próximo disso é o espaço nacional, sem o qual não se pode nem pensar a cidadania. E é a partir desse espaço que podemos projetar esses valores para o mundo.

O projeto-Brasil está em xeque-mate e pode deixar de existir. Este é o nosso grande drama. Eu disse isso numa fala, feita de improviso, no Fórum Nacional realizado no BNDES em 2007, há catorze anos, no auge do lulismo. Minha fala faz diversas referências a temas da época, mas é perfeitamente compreensível hoje. Foi degravada e publicada com o título “A nação de vontade fraca”. Está no link.

Como disse Darcy Ribeiro, minhas derrotas são minhas melhores partes.

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