O fim do IV Reich

Agora que a poeira assentou, está na hora de a gente falar sobre o Nord Stream 2 ou o “gasoduto da discórdia”, a linha de gás que dá o drible da vaca na Ucrânia e acaba de afundar economicamente o país que já vai mal das pernas. Só de aluguel de linhas de gasodutos, que são 30.000km de gasodutos que cortam a Ucrânia, são US$3 bilhões de prejuízo, uma fortuna incalculável para um país que se encontra em delicadíssima situação financeira.

No desespero, os Estados Unidos cometeu o seu maior erro estratégico dos últimos 100 anos: ameaçou a Alemanha de sanções econômicas. Os Estados Unidos esqueceram que, genuinamente, os alemães nutrem pouquíssima simpatia por eles e os acham arrogantes, incultos e ignorantes.

O orgulho alemão anda represado há muitos anos. Não pensem vocês que a história da segunda guerra mundial está soterrada. A derrota para a União Soviética faz sentido porque foi um enfrentamento direto que partiu dos alemães e perder e ganhar está no código genético deles. Agora, ser dominado como colonizados é outra história.

O grande trunfo dos Estados Unidos para colocar de joelhos a Europa é uma geração inteira de imbecis criados e doutrinados pelo identitarismo. Acredite, hoje o europeu comum acredita nessas idiotices todas vendidas como forma de ciência pelo Departamento de Estado americano. É uma vitória parcial da propaganda nazista que os Estados Unidos importou no pós-guerra.

Para explicar isso, eu teria que fazer um programa inteiro sobre a Operação Paperclip, que levou mais de 1.500 nazistas, muitos criminosos de guerra, para os Estados Unidos. Não foram apenas engenheiros aeroespaciais que receberam cidadania americana e tratamento diferenciado, centenas de assassinos cruéis, especialistas de dominação de massas, foram juntos.

Porém, mexer com o cerne do poder alemão não teve o mesmo efeito, e o identitarismo tem sobre a patuléia ignara, mantida principalmente por causas etéreas, drogas abundantes e a promessa de que na região norte do Ocidente somos os “escolhidos de Deus”, que eles jamais vão precisar trabalhar na vida.

A elite americana, toda ela calcada nas políticas nazistas de dominação, como falei acima, com tecnologia foi importada com sucesso da Alemanha nazista, patrocinaram Hitler e condenaram milhões de judeus pobres à morte, tudo à troca de um projeto que mistura pragmatismo, religião e misticismo.

Mas voltemos ao Nord Stream 2. O tiro saiu pela culatra. Pela primeira vez, o “neonazismo americano” encontrou e deu de cara com o pragmatismo alemão, aliado ao melhor que a Rússia tem nos últimos 200 anos, um presidente calmo, sereno, objetivo e que sabe o que quer, que soube explorar como ninguém a insatisfação alemã.

Alemanha hoje é praticamente dona da Europa. Não existe euro: o euro, na realidade, é o “euromark”. O Marco alemão é a verdadeira moeda europeia, vai para onde a Alemanha for, e a Alemanha definitivamente se cansou dos Estados Unidos, de sua arrogância, do seu totalitarismo e da sua infinita capacidade de viver às custas do suor alheio.

Ao enfrentar e derrotar os Estados Unidos, afundar economicamente ao cânion que foi o último grande investimento geopolítico americano, a Alemanha diz basta à política ianque, que assim como nazismo, foi criada para durar mil anos, mas pelo visto, não durou nem vinte, o que é pior, a França já ensaia seguir o mesmo caminho.

O fim está próximo, comprem pipocas e se preparem para assistir a queda de mais um império da história, o “IV Reich” naufragou. Ironicamente foi destruído pela Alemanha…

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