A necessidade de uma estratégia para lidar com a China

Por Felipe Quintas.

Mourão divulgando foto dele com o broche da China e Bolsonaro adotando tom conciliador com o Gigante Asiático indicam que a ficha do grão-bolsonarismo começa a cair no sentido de que precisa da mão amiga da China para pelo menos chegar até o final do mandato.

Mensagem do vice-presidente no dia 7, com um broche com a bandeira chinesa que chamou a atenção.

Ainda mais num contexto em que os EUA mobilizam a sua “Internacional Progressista” para atacar o agronegócio brasileiro – um dos pilares do bolsonarismo -, com o objetivo de eliminar um grande concorrente e, ao mesmo tempo, um dos maiores abastecedores da China. O Dragão Oriental precisa do agro brasileiro para não morrer de fome, e o agro brasileiro, bem como o governo Bolsonaro, precisa dele para não ser esfacelado em nome do ambientalismo e do indigenismo, pontas-de-lança do imperialismo norte-atlântico no Brasil.

Só falta o rebanho bolsonarista se convencer de que não estamos mais na década de 1960 e entender que a China pode ser uma aliada estratégica, não por bondade, claro, mas por interesses. No que depender dos EUA, toda a diretoria bolsonarista seria presa por fake news e atentado à democracia e o eleitorado bolsonarista condenado a ter aulas de reeducação política com Djamila Ribeiro e Gregório Duvivier. A China não faria nada disso, muito pelo contrário, ela já começou a passar o trator nessa turma (falarei sobre isso em outra publicação).

Precisaríamos, contudo, de um governo que buscasse tirar proveito da dependência chinesa dos alimentos e matérias-primas brasileiros para barganhar a melhora dos termos de troca e obter investimentos para a reindustrialização e reequipagem da infraestrutura, como todos os governos brasileiros de 1930 a 1980 fizeram com os EUA. Podemos ser muito mais do que uma colônia agropecuária chinesa, e isso mantendo uma aproximação mutuamente interessada com a China.

Mas aproveitar a necessidade de aproximação com a China para impulsionar nosso desenvolvimento seria pedir demais a um governo que acredita sinceramente em Mises e criptomoedas. Para a China não importa se o governo aqui é anarco-capitalista ou desenvolvimentista. Desde que obtenha os recursos de que precisa, para ela está bom. Só o Brasil pode decidir o que fazer consigo próprio. Para não perdermos essa chance histórica, que venha, no momento oportuno, um outro governo, que não esteja ligado nem à Internacional Progressista nem à Internacional Conservadora, mas à Nacional Brasileira e apenas a ela.

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