China a ocupar espaço no Afeganistão

A saída dos Estados Unidos do Afeganistão apressou a retomada do poder pelo Talibã, pondo fim a 20 de anos de invasão. Anteriormente, passaram por dez anos tomados por tropas soviéticas (1979-1989). Nenhuma superpotência conseguiu lograr seu objetivo de lutar contra os afegãos e manter seus aliados no poder depois da retirada derrotada.

Agora a China procura ocupar o vácuo, dessa vez não prometendo incursões militares, mas investimentos, de modo a incorporar o Afeganistão em seu projeto de Nova Rota da Seda, por meio de uma ligação de rede de infraestrutura que ligaria o extremo oeste da China ao Paquistão, passando pelo Afeganistão. Esta região chinesa possui maioria muçulmana, da etnia uigur, a qual se acusa a China de estar cometendo violações de direitos humanos e encarceramento em massa, por perseguição religiosa.

O fato é que, além de passagem para a rota, o Afeganistão, um dos países mais pobres do mundo, em termos de renda per capita, IDH etc. Possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, matérias-primas para a indústria de baterias para equipamentos elétricos e painéis solares com demanda mundial cada vez maior. A procura é turbinada pela “indústria verde”, que busca fazer a substituição da queima de combustíveis em veículos, por exemplo, por baterias recarregáveis.

A China, além de possuir também consideráveis reservas desses minérios, possui hoje quase o monopólio do processamento dessas matérias-primas. Desse modo, abre-se uma janela de oportunidade para a China estreitar laços com o novo governo talibã, que conta em seu gabinete até com um ex-detento da base de Guantánamo, Khairullah Khairkhwa, que passou anos lá antes de ser trocado por um sargento estadunidense capturado por forças guerrilheiras talibãs. De pronto o governo de Xi Jinping reconheceu a autoridade dos talibãs, enquanto os aviões da força aérea estadunidense ainda decolavam das pistas afegãs.

Especula-se, segundo o Russia Times, que o ex-presidente Ashaf Ghani fugiu do país levando consigo tanto dinheiro em espécie, presume-se em dólares, que nem couberam em seu helicóptero. Caso seja verdadeira essa informação isso só comprova o porquê do triunfo dos talibãs. Assim, o novo governo assume com menos dinheiro em caixa e com os ativos do banco central afegão, em um valor de R$ 10 bilhões congelados e sem acesso às 22 toneladas de ouro, de propriedade sua, estocadas em um banco em Nova York.

Dessa maneira, ainda que os Estados Unidos tenham evacuado suas forças do Afeganistão, eles ainda mantém algum grau de poder econômico sobre este país, podendo negociar o descongelamento dos ativos e do ouro, como forma de contrabalançar o crescente poder da China no país.

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