Mudar preços implica parar venda de refinarias

Por Marcos de Oliveira

A política de preços paritários de importação (PPI) praticada pela Petrobras está na mira do novo presidente da estatal, general Silva e Luna. Mas como alterar os reajustes e seguir com o mais danoso, que é a privatização da petroleira aos pedaços? Em conversa com a coluna, Felipe Coutinho, vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), lembra que, “caso se altere a política de preços, o capital financeiro internacional deve cobrar deságio nos preços dos ativos. Será uma boa oportunidade para interromper o injustificável plano de privatizações que está em curso desde 2015”.

Em nota divulgada no final de semana, a entidade salienta que a privatização de refinarias, terminais, dutos e distribuidora traz prejuízos muito mais graves à resiliência e sobrevivência da Petrobras, “na conjuntura de preços relativamente moderados de petróleo, do que presumíveis benefícios pela redução dos gastos com juros decorrentes da antecipação da redução da sua dívida”.

“O parque de refino da Petrobras é capaz de abastecer o mercado nacional de diesel e gasolina a partir do petróleo brasileiro, produzido pela estatal. Não é razoável vincular seus preços aos de importação, mas sim abastecer aos menores custos possíveis, promovendo o desenvolvimento da economia brasileira e garantindo a capacidade de investimento” da Petrobras, ressalta a Aepet.

A saída mas ‘fácil’

O engenheiro Roberto Moraes, professor do Instituto Federal Fluminense (IFF Campos), teme que a pressão do mercado financeiro ajude “o desgoverno a optar por ficar livre do problema (como é comum ao desgoverno que não consegue executar políticas públicas)”, lembra. “É neste cenário que a privatização completa da Petrobras, defendida por muitos ao lado do presidente, entra no radar. Agrada ao mercado, e Bolsonaro pensa que se livra do problema do preço dos combustíveis.

“Sem reversão dos tais desinvestimentos com a venda das refinarias, não se altera essa política de preços do PPI. Assim, a tendência é que o general Silva e Luna siga o script da pazuellização, apenas para bater continência a Bolsonaro” analisa Moraes. “Todos esses movimentos criam condições para essa hipótese que deve ser acompanhada de perto. Os sinais não são de quem tem preocupação com a população e a nação e sim negócios e projeto de poder, simplesmente”, adverte.

Com informações Monitor Digital

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