Lula deixa maior juro real do mundo

Recordar é viver!

Os petistas costumam ignorar que a receita de sucesso dos governos do PT foi colocar o Estado a serviço dos banqueiros e fazer políticas identitárias e distributivas para a população com o intuito de rasgar o tecido social e sustentar a sua agenda de poder, causando o aumento da desigualdade e a maior concentração de riqueza da história do Brasil. “Nunca antes na história deste país” os bancos lucraram tanto.

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Fonte: Folha de São Paulo (09/12/2010)
Autor: Eduardo Cucolo

Última reunião do Copom no atual governo mantém taxa básica em 10,75% ao ano e sinaliza cenário ruim para inflação.

No início do primeiro mandato de Lula, a taxa real, que desconta a inflação, era de 11% ao ano; agora é de 4,8%.

Na última reunião sob o comando de Henrique Meirelles, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve os juros básicos em 10,75% ao ano. Com isso, Lula terminará o governo deixando o país com a maior taxa real (descontada a inflação) do mundo.

Esse foi o último encontro do Copom no governo Lula, mas a maioria dos membros do comitê deve permanecer no cargo na próxima gestão. Entre eles, está o atual diretor de Normas, Alexandre Tombini, futuro presidente do BC, a quem caberá retomar o ciclo de alta para segurar a inflação.

A manutenção dos juros deixa o país no topo do ranking das maiores taxas reais do mundo, mesma posição que o país tinha no começo do governo Lula. Em 2003, a taxa real (descontada a inflação projetada para 12 meses) era de 11% ao ano. Caiu para 4,8%. Para efeito de comparação, nos EUA a taxa real é hoje negativa (o juro é inferior à expectativa de inflação). O nível alto da taxa real em relação a outros países é um dos fatores que contribuem para atrair mais dólares para o país neste momento e derrubar a cotação da moeda.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, já manifestou o desejo de reduzir o juro real nos próximos quatro anos. As previsões para 2011, no entanto, são de alta da taxa. A maioria dos economistas já esperava a manutenção da taxa básica (Selic). A expectativa é que o juro voltará a subir na próxima reunião do Copom, em janeiro.

O QUE É A SELIC

A Selic determina o custo do dinheiro para os bancos e, por isso, serve de base para os empréstimos a empresas e consumidores, cuja taxa média está em 35% ao ano. A taxa é um dos principais instrumentos que o BC tem para tentar controlar o ritmo da economia e a inflação. Inflação que, segundo informou ontem o IBGE, atingiu o maior nível em quase seis anos.

No comunicado divulgado ontem, o BC diz que o cenário para a inflação é “menos favorável”, mas que é necessário mais tempo para avaliar o impacto das medidas já anunciadas sobre as condições de crédito e liquidez.

Na semana passada, o BC retirou R$ 61 bilhões da economia com o aumento do compulsório (dinheiro dos bancos que fica depositado no BC). A instituição também impôs restrições a financiamentos acima de 24 meses.

CRÉDITO

No início do primeiro governo Lula, em 2003, os juros estavam em 25%. Meirelles estreou no Copom elevando a Selic, que chegou a 26,5%. Em 2004, já havia caído para 16%; durante a crise de 2009, chegou a 8,75%, menor patamar desde a criação do Copom, em 1999.

Se Meirelles tivesse elevado o juro, quebraria uma regra de sua gestão: o BC nunca promoveu dois ciclos seguidos de alta da Selic nesses oito anos. Sempre que a taxa subiu, ficou estável por um tempo para depois cair.

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